10.10

Cheguei em Mangualde, e o José veio me buscar. Logo cedo, falei com a tia Helena, que estava meio gripada, e fui pra rua. José me deu todas as dicas, indicações do que ver, e de como me localizar, e me mostrou um pouco da história da cidade. Parece que ele gosta muito de história, e é uma pessoa muito delicada e detalhista. Gostei muito de todas as suas explicações.

Viseu é uma cidade com ruas em círculo ao redor de duas igrejas: Igreja da Misericórdia e Sé de Viseu. Fui visitar essas igrejas, e não podia ser diferente. Muitos azulejos. Dentro da Sé havia uns espaços que me pareceram tribunais, como aqueles dos filmes de inquisição, muito interessantes.

É impressionante a quantidade de ladrilhos azuis utilizados pelos portugueses. Nomes de casas, ruas, painéis nas igrejas, plaquinhas do tipo “não pise na grama”. Só não vi nenhum outdoor de ladrilhos. Mas tava quase.

Enfim, fui conhecer museus na viagem. Minha resistência é quanto ao formato. Para mim, andar em Viseu, Madrid, Paris, Campello ou Callosa é andar entre museus, por obras de arte arquitetônicas, esculturas na rua, homenagens, pessoas… Não sou muito fã dos museus, nos seus formatos originais. Mas acabei gostando desse. Muita arte sacra, e muita coisa ligada a religião, mas a preciosidade de detalhes é incrível. Fiquei extremamente impressionado com uma urna de marfim, que era usada para guardar hóstias.

Pena que não se podia tirar fotos. Consegui, porém, tirar uma que valeu a pena. Uma pintura de Grão Vasco, sobre a adoração dos reis magos, de 1505, logo 5 anos após o descobrimento do Brasil, onde Balthazar, o rei mouro, era representado por um índio tupí-guaraní.

De tarde, conheci a Quinta. Infelizmente, minha logística não me permitiu conhecer as uvas, por que a vindima, que é a colheita das uvas, ja havia acabado. Mas adorei a Quinta. Sao 10 hectares, 7 plantados. Predomina a uva Touriga Nacional, capaz de fazer vinhos bem estruturados, e bem frescos, sendo os vinhos superpremiados. Os equipamentos são de ultima geração, e contrastam com a dedicação e o esmero do José, que ainda mantem alguns processos manuais, como a finalização das embalagens. Seu cuidado é percebido nos mínimos detalhes. E também na sua "aula" sobre a produção dos vinhos, passo a passo, tirando cada dúvida que tinhamos, eu e uma família de amigos de Nicteroy.

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